#29 | dois centavos sobre processos
ou: quando eu entendi que, entre uma ideia e a sua concepção, há uma jornada inteira
atenção: essa edição está longa demais para o seu e-mail. portanto, lembre-se de clicar em “ver mensagem completa” para ler tudinho. obrigada desde já :)
‘e se eu criasse uma experiência leve, breve e divertida para clientes e parceiros celebrarem comigo a energia de ano-novo-vida-nova?’, pensei comigo mesma um dia de novembro de 2025.
tudo bem que a primeira versão dessa pergunta veio muito tempo antes (talvez um ano antes?), quando comecei a ter vontade de criar coisas por conta própria, fugindo um pouco das demandas que chegavam com os projetos de clientes.
no entanto, ao longo de todo esse período muitos projetos foram rascunhados, ideados, e…. engavetados. porque a vida tem dessas, né? projetos próprios ficando pra trás diante de tantas outras demandas que pagam as contas.
mas voltemos para as últimas semanas de novembro de 2025, e o suspiro de final de ano que veio com elas. não sei você, mas eu voltei a ter um ânimo renovado para criar coisas que, antes de mais nada, fossem minhas. e aí, o resto virou história — ou melhor, processo. e sim, resolvi vir aqui contar tudinho (vai que você se inspira agora, que o ano vai começar depois do carnaval, a criar algo só seu?).
a ideia começou a sair do papel da tela quando encontrei, meio que sem querer e em um longínquo cantinho da internet, um site que otimizava a criação de embalagens (designers, me perdoem!!). por que não?!, eu pensei.

a partir desse primeiro rascunho, repensei toda a embalagem, porque eu buscava uma experiência que tivesse um jeito certo de abrir. eu de fato queria que as pessoas começassem a sua interação com o material por meio de uma carta específica. então o pacote precisaria levar isso em consideração. design de experiências que chama, né?!
ao mesmo tempo que a embalagem tomava forma, as perguntas de ação das cartas foram escritas, lapidadas e reescritas a partir de muito gameplay dentro de casa e junto de pessoas próximas — obrigada, cobaias!
e uma curiosidade aqui: quando eu desenho experiências, tento resgatar e reimaginar referências já familiares para o público-alvo. nesse caso, então, tentei repensar o jogo de verdade ou consequência — ou ‘verdade ou desafio’, dependendo da região do país que você cresceu — para uma vivência de aprendizado.
dessa forma, a experiência se torna bem mais intuitiva (porque você já sabe brincar) e a aquisição de um novo repertório é facilitado por já ser próximo de algo que você já conhece. sacou?
no fim, (spoiler: não foi o fim) só faltava a gráfica entregar as versões finais de todos os materiais.
e não sei pra você, mas quando eu tenho uma ideia e a materializo mentalmente (e são muitas ideias por dia), logo penso: ‘já tá pronto!!! vai ser fácil!!!!’. mas raramente é tão fácil quanto a minha mente imaginou ser.
porque a partir da entrega da gráfica, eu precisei cortar embalagem por embalagem (sim, tinha a opção de vir tudo cortado, mas a pequenina empresária aqui precisaria pedir um mínimo de 500 unidades e eu ainda não tenho tanta gente assim pra entregar. um dia vem aí!!!).
e então dobrar uma por uma. para daí montar todos os kits. e logo escrever cada uma das mensagens individuais que acompanhariam o baralho para seus destinatários.
e, aí sim (ufa!), chegar nas últimas etapas de endereçar todos os pacotes e enviar pelos correios. essa, inclusive, era parte essencial da experiência, e eu sempre soube disso. afinal, quem perdeu a mágica sensação da infância de esperar algo legal pelo correio (que não fosse boletos), não viveu direito!! e poder resgatar um pouquinho dessa emoção era parte da mensagem que eu queria transmitir para as pessoas.
tá malu, mas e daí?, você me pergunta.
pois é, confesso que dá pra responder um ‘e daí que foi só tudo isso. e acabou'.
mas o retorno que tenho recebido, agora que já entreguei todos os pacotes nas mãos dos encontros presenciais, e que os correios já estão fazendo a sua parte e levando os baralhinhos para todos os cantos do país (sim, teve isso!!!!), tem me deixado com o coração tão quentinho.
tanto que resolvi abrir de fato esses bastidores e fazer essa conversa render mais ainda porque sim, criar algo seu pro mundo é massa demais. e criar experiências leves, breves e divertidas para clientes e parceiros celebrarem comigo a energia de ano-novo-vida-nova sempre vale a pena — especialmente conseguindo entregar tudo antes do carnaval.
🌾 completamente obcecada pelo show do bad bunny no superbowl
sim, foi tudo isso mesmo. no entanto, minha obsessão ficou pela solução que encontraram para colocar oitocentos (!) arbustos no gramado do estádio sem danificá-lo: convidar 800 pessoas para se transformarem em arbustos. solução que gerou esse timelapse sensacional, esse depoimento do andrew athias, e esse vídeo em primeira pessoa de outro arbusto só porque sim. genial?!
🗺️ desenhar mapas é o novo journaling?
recentemente, fiz um workshop online (o curso assíncrono também existe) com uma moça que vem desenhando mapas desde 2022 como uma forma de compreender o mundo. e não só o mundo geográfico, mas, por exemplo, como ela espera que o seu ano seja. achei sensacional.
⚡️ (ainda) sobre lux
pode ser um tema meio 2025 demais, mas o último álbum da rosalía tem me acompanhado bastante, e eu sinto que não o mencionei muito por aqui — nem a partir do depoimento do bial. da tour de experiências de lançamento (que inclusive a trouxe ao rj) aos depoimentos da gata sobre o processo de composição em 13 idiomas, o álbum por si só é um babado — e resultado de uma jornada de estudos de três anos de duração que a própria cantora teve.
e é no resultado dessa jornada que muita gente não prestou atenção: cada faixa referencia uma mística, abordando diferentes culturas do mundo. então o resultado é um conjunto de faixas sobre uma mestra taoísta, uma freira alemã, uma santa canonizada, uma profeta judia… e depois de ler dezenas de materiais sobre o álbum como um todo, fica aqui a minha indicação da edição #29 da paulatinamente, para caso você quiser saber mais lendo apenas um conteúdo.
“jornadas” tem sido um tema grande por aqui. não necessariamente grande, mas bastante presente. então acompanhar mais conteúdos sobre as jornadas de construção e criação das coisas têm sido divertido demais.
até breve,
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amei receber o resultado final pelos Correios, tanto quanto amei acompanhar a genealide desse processo 🫶🏽